A Cozinha Fechou

Construindo uma carreta

20/05/2008, por Jorge Luís Bilek

Dezesseis anos de construção. Começou em 1991, em Guaratuba, subiu para Curitiba em 1997 e em 2004 desceu novamente para o litoral… Já são quatro anos numa marina em Paranaguá. No início, foram dias e dias só trabalhando, sem conversar com ninguém. Havia poucos amigos em Paranaguá. Mas com o passar do tempo eles foram aparecendo. Seja pela curiosidade de ver um barco tão grande ali estacionado, ou pelo fato de aquele barco tão grande estar a tantos anos sendo construído pelas mãos de um único homem.

Uma amizade que na maioria das vezes nascia a partir da admiração das pessoas pelo trabalho do Vagner. Quatro anos depois, chega a ser interessante ficar fazendo alguma coisa no convés do Christalino, a todo momento passa alguém e cumprimenta o “Vagner” em cima do convés. As vezes os amigos param para conversar, outras vezes só param ali para mostrar para a família ou para amigos a “obra” do Vagner. Tem ainda aqueles que compraram um barco e quando ele dá algum problema, recorrem ao nosso amigo. Inúmeras vezes vi esses “amigos-admiradores” pedirem socorro a ele sobre alguma peça que estão colocando no barco, sobre uma pintura no casco, uma mangueira, uma instalação elétrica ou hidráulica. É legal ver essa admiração que as pessoas tem pelo Vagner. Certa vez um desses amigos pediu ajuda para a construção de uma carreta para seu barco. Comprou toda a madeira e os parafusos (seguindo a indicação do Vagner, é claro) e levou tudo lá para a marina. Foram três sábados ajudando na carreta. No primeiro eu estava por lá. Ficamos os três, o dia inteiro trabalhando. Nem almoçamos. Adiamos o almoço para as 13h, depois para as 14h, para as 15h, 16h… Decidimos adiantar o trabalho e comer alguma coisa apenas no jantar. Mas a vontade de acabar logo, aliado àquele parafuso que não entrava na borracha, àquela porca que enroscou naquele outro parafuso… Fomos adiando o jantar, adiando e quando paramos o serviço, já era 1h da manhã. Mortos de fome, fomos então a uma pizzaria ali perto. Chegando lá, o garçom nos barrou na porta.

Garçom – “A cozinha já fechou.”

Vagner – “Não acredito… É só uma pizza. É rapidinho…”

Garçom – “Já fechou!”

Vagner – “A gente trabalhou o dia inteiro. Não jantamos ainda. Aliás, nem almoçamos…”

Garçom – “Já falei que a cozinha já fechou.”

Vagner – “Mas tem gente lá dentro. Não tem como fazer alguma coisa??? Por favor, a gente tá morrendo de fome…”

Garçom – “E vão continuar…”

Não meu amigo, não continuamos com fome não. Fomos a outra pizzaria onde a cozinha estava aberta e onde fomos melhor recebidos… E depois de um dia inteiro de trabalho, jantamos a melhor pizza de tomate seco com rúcula que já comi na minha vida, acompanhada do melhor dos vinhos… Huuummmmm…

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Dia: 1/05/2008 - arquivado em: Histórias de Velejador