As vezes precisamos de um vento contra Parte 2

Pieter e Vagner no Veleiro Vidão

Por Pieter Kommerij, o holandês do Veleiro Vidão

Estava na hora de tirar o Vidão da Itajaí, aonde tem ficado quase um mês, sob os excelentes cuidados do Vilmar e seu equipe. Alias recomendo este lugar bem abrigado da Associação Náutico de Itajaí (ANI) para quem que precisa abrigo.

De fato, tinha consultado principalmente o Windguru e dava vento sul, uns 8 nos.

Maravilha, e la fomos  (o Vagner e eu) de ônibus para Itajaí.

Frio e chuva em Curitiba, mas chegando em Itajaí solzinho fantástico.

Perto da ANI tem um Supermercado, e fizemos nossas compras básicas.

Uma vez a bordo do Vidão, arumando as coisas e as 15:00 hrs soltamos da poita.

Logo fora da entrada do Rio Itajaí, a cruel realidade: vento sul que nada, foi mais uma vez N/NE, fraquinho….. Fazer o que, abrir o rumo, e curtir um fantástico por de sol.

Este vez, mesmo com vento contra, parecia que estava tudo diferente: lua quase cheia, mar calmo, e ventinho soprando.

O Vagner  dedicou se em fazer o prato preferido ao bordo do Vidão: macarrão penne com molho de tomate e calabreza e queijo parmezao…. isto e um vinho argentino fantástico.

Altos papos (as vezes filosóficos, as vezes não….), vento soprando, e Vidao bem na orça….

O vento aumentou, e estava claro que ia chover mais tarde….. Somente mais tarde colocacmos o segundo rizo, e inclusive enrolamos a genoa. Já tinha protegido o piloto automático…. Desde vez não ia ser a mesma bagunça como na ida um mês atraz. Eu me deu conta que o maior “inimigo” esta dentro de você…. me lembrei claramente o meu desanimo, o cansaso, a bagunça no barco… naquele travesia da ida… daí quando pifou o piloto automático, com tanto vento, chuva e ondas… quem seguro a barra era o Vagner, ele tem ficado a maior parte do tempo no leme e eu somente “curtindo” a miséria instantânea….. bom isso era mês passado e este vez ia ser diferente. Que eu quero dizer é que como a forma de pensar, encarar as coisas, e um mente clara faz diferença!

Foi dormir por uns 2 horas, e logo quando eu assumiu o turno e Vagner foi dormir, la vem a chuva: td bem, nada que um bom ropa de mau tempo não resolva. Com a grande no segundo rizo e genoa enrolado fizemos uns 4 nós, com um vento de contra de uns 20 nós. Um novo aprendizagem: embora o piloto automático funcionando bem, numa orça bem fechado, precisa se pouca coisa para que o piloto não tem tempo suficiente para corrigir e pronto um bordo involuntário. Fazendo um 360 para voltar no rumo. Isto me aconteceu uns 2-3 vezes. Melhor seria de não ficar numa orça tão fechado…. tudo mas uma coisa que aprendi.

Os turnos, sem querer ficaram de 2 e 2 horas aproximadamente….

A viagem segue relativamente tranqüilo, mas não avançamos muita coisa não….

Já no outro dia no amanhecer, o vento quase disaparece, e resolve mais uma vez ligar o motor… so que este vez já escutei um barulho diferente: não estava circulando água para resfriar o motor….. que m… e já vi um drama se desenvolvendo: rotor quebrado, eixo quebrado sei la…. mas este vez o Vagner (ainda meio dormindo) assumiu o papel de in house mecânico: enquanto eu estava procurando a minha caixinha de ferramentas especial p esta operação……pqp não consegui achar, virei td mais nada de chaves…. na improviso ele consegui abrir e verificar a bomba: rotor e eixo intacto??? Bom, tudo no lugar e o motor funciono e a bomba também. Alarme falso….

Immediatamente me dei conta que não tinha aproveitado esta situação: eu deveria ter feito este “reparo”… bom com certeza terão outras vezes…..

O vento começo soprar novamente, (lógico ainda de N/NE) e pelo velocidade (uns 5-6 nos) o GPS já avisava: vão chegar aprox. as 16:00 na bóia 1.

Beleza, um café de manha, dormir mais um pouco etc etc e já estávamos com todo pano encima, realmente um excelente dia para velejar.

Derepente avistei um “frango” boiando na água…..alias tinha vários, e depois um melhor observação: eram pingüins….sim, pingüins … (de férias???)….

Curtimos o vento, e sol, e já que foi comprado o dia anterior: la se foi um pernil com osso na churasqueira. Alias todas os truques de como acender carvão o Vagner utilizou. O melhor: jogar gasolina (tinha um pouco no motor de popa). Um excelente almoço (pão torrado com pernil)….

Com um lindo por do sol estávamos chegando na bóia 1…. Bom, sobre as bóias o seguinte: eh uma vergonha: acho que contamos somente três bóias com os luzes funcionando, o resto nada….. Eh por isto que a noite não tem mais transito dentro do Canal de Galheta. Para quem não sabe: tudo qualquer embarcação que atraca no porto tem que pagar uma taxa, o tal de AFRMM (25% do valor do frete). Para ter uma idéia para cada navio de containers, isto pode significar algo em torno de Us$ 330.000 ! Este taxa eh para melhoramento dos portos etc etc… Pergunta: quanto custa uma lâmpada????

Bom, a entrada no Canal foi tranqüilo e chegamos aproximadamente 20:00 na marina.

Fomos super bem recebido por Daniel que nos ajudo em atracar.

Foram uns 27 horas velejando, devagar, mas bem melhor do que a ida.

Gostaria agradecer o Vagner para mais este…..

Bons Ventos para todos..

Pieter

Veleiro Vidao.

Dia: 11/05/2008 - arquivado em: Histórias de Velejador