1996 – A GRANDE VIRADA !!!

FÉRIAS E A GRANDE VIRADA. Aproveito o pouco tempo disponível para o veleiro e planejo o procedimento de virar o casco. Chega a hora de virar o casco da embarcação! Virar uma peça de 13,5m de comprimento por 4,2m de largura, com peso aproximado de 3.000 kg, em um galpão de 4,2m de altura. Essa tarefa não é algo que se poderia chamar de usual, sem considerar que as ferramentas disponíveis são: um macaco de caminhão, uma talha manual com cabo de aço, e alguns cavaletes. Mas com planejamento e a boa vontade dos amigos essa etapa pode ser superada. Sempre existe a possibilidade de algo não dar certo, e a responsabilidade é incrementada quando se faz na presença do pai, que geralmente duvida um pouco da sanidade do filho. Como sempre meu pai usava minha mãe de intermediaria para comunicar-me que algo não ia dar certo. Eu tenho que me assegurar de tudo. Nada pode dar errado sob a pena de ter que escutar por longo tempo o: ” eu te disse !!! “. Começamos as atividades na sexta a noite, para tirar a lancha que esta sendo construída debaixo do galpão. Os 60 centímetros entre as duas embarcações mal permite a circulação de pessoas, muito menos para realizar uma tarefa como esta. Sábado de manha, a área já esta livre e começamos a levantar o casco. A idéia é levantar um lado e fazer o casco apoiar nos dois suportes que foi colocado junto a ele. Será como girar um polígono, face por face.

Virando o cascoVirada do casco em Guaratuba - 1996inicio da missao fora lancha Virada do casco em Guaratuba - 1996vista do suportefase intermediária

A teoria é ótima, mas para fazer isso é necessário levantar bastante a borda do casco. Aí começam as improvisações, usando o que se dispõe, macacos, catracas, cintas e cavaletes. O casco aos poucos se inclinando e a borda subindo, até o casco ficar 90 graus com o piso. Após esse ponto, tudo é mais fácil, agora é só descida. Domingo é o dia de recolocar a lancha no lugar e de curtir o casco virado.

Vista do ponto mais críticomomento crítico (arapuca de velejador)Tá quase no finalVirada do casco em Guaratuba - 1996Virada do casco em Guaratuba - 1996

Novembro/1996. Mudam os ventos, consigo transferência para a área de projetos em Curitiba. O barco esta mais próximo e não tive que transporta-lo para tão longe. O veleiro e meu bolso agradecem. Agora está mais fácil. Apesar da proximidade do mar, o local onde o veleiro está não possibilita um trabalho mais constante. É necessário transporta-lo para Curitiba. Mas para onde? Bem, acionei os amigos, e após uma breve analise vieram com a solução: podemos coloca-lo lá no Pinheirinho (bairro de Curitiba) no terreno do João e sua família !!! Foi nesse momento que o destino do Christalino cruzou com o destino do João e de sua familia. Eu e o Christalino passaríamos muitos momentos de alegria e também alguns de tristeza a contrabordo desta maravilhosa família ! Um novo lar para o Christalino !!!

O TRANSPORTE. Após reunião com a pessoa de Sr. Franscisco da Transportadora JB, chegamos a um valor mínimo a custas de algumas restrições, ou seja, carregamento no domingo. A tarefa merecia planejamento, afinal de contas era imprescindível que o carregamento se fizesse no domingo, do contrário o preço do transporte seria acrescido de mais uma diária (caminhão e batedores). Aliás, a Transportadora JB iria prestar mais serviços por esse sonho, sempre com responsabilidade e eficiência. Obrigado Chico, mais um amigo do Christalino!!! Como não havia como sair pela frente do terreno devido a presença da casa, o veleiro teria que sair pelo terreno do vizinho. Desta forma, as tarefas necessárias para realizar o carregamento eram as seguintes:

  • Arrastar o veleiro para trás, retirando-o do galpão (+ ou – 15m).
  • Quebrar o muro de divisa (muro de pedra).
  • Arrasta-lo pelo terreno vizinho até a carreta (+ou -25m).
  • Levantar o veleiro do chão até o nível da carreta (+ ou – 1,3m).
  • Arrasta-lo sobre a carreta.
  • Amarra-lo.

Para tudo isso, seria necessário mais uma vez a ajuda dos amigos. Estimei que dois dias seriam suficientes. Comecei os trabalhos na Sexta-feira a noite, ainda sozinho. No Sábado chegou o pessoal, e começamos trabalhar. No final do dia, tínhamos cumprido os dois primeiros itens.

plano para saidaDeixando Guaratuba

Na noite de sábado, recebi a informação de que sete dos oito amigos que ajudaram teriam que retornar. O Domingo começou cedo, e foi marcado pelo trabalho duro de duas pessoas, Eu e meu amigo Álvaro (novamente). Observando as dificuldades, consegui mais uns aliados, o motorista do caminhão, e mais tarde o próprio vizinho.

passando pelo terreno vizinhovista de um lento deslocamento

Ao anoitecer havia um veleiro sobre a carreta, e duas pessoas que mal conseguiam levantar os braços. Mais uma vez obrigado a todos que me ajudaram e especialmente é claro ao amigo Álvaro, este valente individuo que se arrisca constantemente ao conviver com minha pessoa.

Deixando Guaratuba